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4 · Modelagem

Fase 4 do CRISP-DM. Quatro modelos, um para cada objetivo de mineração de docs/01 §4 — todos validados por bloco espacial (ADR 0002). Código em src/airbnb/models/; features em src/airbnb/models/especificacao.py, a fonte única de quais colunas entram em cada modelo.

1. Como tudo é validado

Validação cruzada espacial. Os anúncios são agrupados pela célula H3 r6 (~36 km²) em que caem; os blocos são sorteados em 5 folds; todo anúncio de um bloco fica no mesmo fold. O modelo nunca vê, no treino, os vizinhos do anúncio que está prevendo — que é a situação do simulador do site.

Parada antecipada honesta. O LightGBM escolhe o número de árvores numa validação separada do treino (15% dos blocos de treino), nunca no fold de teste. O modelo final usa a mediana das árvores escolhidas nos 5 folds.

Métricas. Em dólar (MAE, erro absoluto mediano), relativa (MdAPE, o erro percentual mediano — comparável entre um quarto de US$ 60 e uma cobertura de US$ 900) e R² no log do preço, onde o modelo é ajustado. Toda métrica é fora do fold. A dispersão entre folds acompanha cada número.

Quanto a validação ingênua enganaria. O modelo principal (M4) é rodado uma vez também com KFold aleatório; a diferença é o otimismo que teríamos publicado (seção 2.4).

2. Preço por noite — modelo hedônico

2.1 A escada

Cada degrau só existe se melhorar o anterior — e a escada mostra de onde vem cada ganho.

degrau o que vê papel
B0 nada (mediana global) piso
B1 mediana por bairro × tipo de quarto o que a análise descritiva (v0) sabe; recua para o tipo quando o bairro não está no treino
M1 regressão linear regularizada (Ridge) no log do preço o clássico da literatura hedônica
M2 LightGBM com os atributos do anúncio o imóvel, sem a localização
M3 M2 + coordenadas do centroide da célula r9 + distrito a localização como latitude/longitude
M4 M3 + as fontes externas a localização como o que há nela
M4 sem coordenadas M2 + distrito + fontes externas as externas substituem a coordenada?
M5 só as entradas do simulador + localização, modelo compacto o produto que roda no navegador

Atributos do anúncio (M2): estrutura (tipo de quarto e de imóvel, hóspedes, quartos, camas, banheiros, banheiro compartilhado), 17 comodidades, regras (mínimo de noites, 30+ noites, situação do registro na Prefeitura), anfitrião (superhost, anos como anfitrião, número de anúncios) e avaliações (nota geral, de limpeza e de localização, número de avaliações, meses desde a primeira).

O produto (M5) usa só o que um usuário sabe informar — tipo, hóspedes, quartos, camas, banheiros, banheiro compartilhado, 30+ noites, superhost e nota (opcional) — mais tudo o que vem da célula. É menor (árvores de 31 folhas) para caber no navegador; o custo em erro frente ao M4 está na tabela.

modelo MdAPE MAE R² (log) MdAPE entre folds
B0 · mediana global 53,5% US$ 176,4 -0,083 47,2% – 67,9%
B1 · mediana por bairro × tipo (v0) 46,6% US$ 159,7 0,130 37,8% – 54,7%
M1 · regressão linear hedônica 27,6% US$ 111,4 0,669 25,9% – 30,6%
M2 · LightGBM, só o imóvel 24,5% US$ 103,9 0,716 22,2% – 30,1%
M3 · + coordenadas e distrito 21,7% US$ 96,1 0,762 20,3% – 24,6%
M4 · + fontes externas 22,0% US$ 96,1 0,760 21,0% – 24,4%
M4 sem coordenadas (só externas) 22,1% US$ 96,5 0,760 21,1% – 24,9%
M5 · produto (simulador) 25,0% US$ 102,0 0,724 22,6% – 26,2%

Escada de modelos

Leitura. A análise descritiva (B1) erra metade do preço (MdAPE 46,6%): sob CV espacial, o bairro do anúncio quase nunca está no treino e o baseline recua para a mediana do tipo de quarto. O modelo linear clássico já corta o erro quase pela metade (27,6%); o LightGBM só com o imóvel chega a 24,5%, e a localização leva a 21,7–22,0%. O produto, compacto (61 árvores de 31 folhas, 34 features), fica em 25,0% — 3 pontos acima do M4, o preço de caber no navegador.

Quanto a validação ingênua enganaria. O mesmo M4 avaliado com KFold aleatório dá MdAPE de 18,5% e R² de 0,80 — contra 22,0% e 0,76 com blocos espaciais. Teríamos publicado um erro 16% menor do que o real para quem usa o simulador num lugar novo.

2.2 O que cada fonte externa agrega (ablação)

Retira-se uma fonte externa por vez do M4 e mede-se quanto o erro piora, fold a fold. Fonte cuja retirada piora o erro em 4 ou 5 dos 5 folds agrega de forma consistente; a que piora em 2 ou 3 é ruído.

fonte retirada features Δ MdAPE Δ MAE folds que pioram
NYPD crime_graves_km2, crime_total_km2 +0,21 p.p. US$ 0,27 4/5
marcos dist_centro_km, dist_aeroporto_km, dist_marco_km +0,20 p.p. US$ 0,86 4/5
ACS acs_renda_mediana, acs_aluguel_mediano, acs_pop_densidade, acs_pct_alugado, acs_pct_vago, acs_valor_imovel -0,04 p.p. US$ 0,13 3/5
Zillow zori -0,10 p.p. US$ 0,09 2/5
MTA metro_dist_m, metro_n_800m, metro_linhas_800m -0,12 p.p. US$ 0,36 3/5
OSM poi_restaurantes_k1, poi_bares_k1, poi_cafes_k1, poi_atracoes_k1, poi_hoteis_k1, poi_parques_k1 -0,15 p.p. US$ -0,62 2/5
311 ruido_311_km2 -0,30 p.p. US$ 0,34 2/5

Ablação por fonte

Resultado nulo — e o mecanismo que o explica

Para prever preço, as fontes externas não superam as coordenadas. O M4 (com as externas) empata com o M3 (só latitude/longitude): 22,0% × 21,7%, melhor em 3 de 5 folds — o critério C4, registrado antes da modelagem, não foi atendido. Só a retirada de NYPD e dos marcos piora o erro de forma consistente (4/5 folds), e em 0,2 ponto percentual.

O que as externas fazem é substituir a coordenada quase sem perda (M4 sem coordenadas: 22,1%) — e, com isso, dizer o que no lugar importa. No M4, o modelo prefere as externas às coordenadas: 23,8% da contribuição SHAP vai para as fontes externas e 1,7% para latitude/longitude (seção 2.3). O ganho da Por que elas não somam. Medimos: o η² de cada feature externa explicado pela célula H3 r8 tem mediana de 0,85, e as distâncias a marcos chegam a 0,997–0,999 (são função do centroide, por construção). O aluguel do Zillow, terceira feature do modelo, tem η² = 0,94. Em quase toda a sua variância, as externas são a célula com outro nome — e um modelo que já recebeu a localização não ganha informação ao recebê-la de novo. Isso não é falha da coleta: é o que se descobre ao medir.

O ganho da busca por dados fora do Kaggle, no preço, é de interpretação e de transferência (um modelo que fala em aluguel, renda e distância a marcos funciona em outra cidade; um que fala em latitude, não), não de acurácia. Onde elas mudam a conclusão é em outros lugares: o comparativo de aluguel (seção 3) e o teste de localização.

2.3 O que move o preço (SHAP)

A contribuição SHAP soma exatamente a previsão, então pode ser agregada por grupo sem dupla contagem: é a resposta direta a "quanto do preço é o imóvel e quanto é o lugar".

grupo de features fração da contribuição (SHAP)
anúncio 74,5%
Zillow 9,3%
marcos 6,6%
ACS 4,3%
OSM 1,9%
coordenadas 1,7%
MTA 0,9%
311 0,4%
NYPD 0,3%

SHAP por grupo

O imóvel explica três quartos do preço — banheiro compartilhado, número de hóspedes, mínimo de noites e situação do registro na Prefeitura estão entre as seis features que mais movem a previsão. Do quarto restante, o que mais pesa é o nível de aluguel de longo prazo do CEP (Zillow ZORI: a terceira feature do modelo), seguido da distância aos marcos turísticos e da renda e do aluguel do setor censitário (Census).

Dependência das variáveis de localização

As curvas têm a forma esperada — e isso é validação: preço sobe com o aluguel do entorno (de −15% a +22% entre os extremos do ZORI), cai com a distância aos marcos (+8% perto, −8% a mais de 10 km) e com a distância a Times Square.

Prêmio de localização modelado

O mapa aplica o modelo do simulador a um mesmo apartamento de referência em cada célula r9: é o prêmio de localização que o site calcula para um clique.

2.4 Intervalo de previsão conformal

O simulador não publica só um número: publica uma faixa que contém o preço real de 80% dos anúncios parecidos. O intervalo é conformal: os quantis 10% e 90% do resíduo fora do fold (no log) viram a faixa [p·e^q_inf, p·e^q_sup], com a correção de amostra finita. A cobertura honesta é medida calibrando em 4 folds e conferindo no quinto.

Um intervalo global cobre 80% na média, mas descobre os grupos pequenos (quarto de hotel, quarto compartilhado), que erram mais. Por isso o produto usa o conformal de Mondrian: um par de quantis por tipo de acomodação.

tipo de acomodação n cobertura (intervalo global) cobertura (Mondrian por tipo)
Quarto privativo 9.219 80,8% 79,8%
Casa ou apê inteiro 11.226 79,3% 79,5%
Quarto de hotel 478 68,2% 78,2%
Quarto compartilhado 191 62,8% 79,1%
todos 21.114 79,6% 79,6%

O intervalo global cobre 79,6% no total, mas só 68% dos quartos de hotel e 63% dos compartilhados. O Mondrian (grupo com pelo menos 100 resíduos) traz os quatro tipos para 78–80%. A faixa é larga — no intervalo global, o limite superior é cerca de 2,6 vezes o inferior —, e é isso que o erro fora do lugar conhecido realmente é.

2.5 O produto por recorte

recorte grupo n MdAPE MAE
tipo Quarto privativo 9.219 24,6% US$ 66,7
tipo Casa ou apê inteiro 11.226 25,0% US$ 122,8
tipo Quarto de hotel 478 32,1% US$ 299,0
tipo Quarto compartilhado 191 35,1% US$ 86,2
distrito Brooklyn 7.129 24,1% US$ 72,9
distrito Manhattan 9.304 26,8% US$ 146,8
distrito Queens 3.571 22,5% US$ 60,0
distrito Bronx 819 25,0% US$ 47,6
distrito Staten Island 291 26,3% US$ 48,3
mínimo de noites 30+ noites 16.102 25,2% US$ 84,6
mínimo de noites < 30 noites 5.012 24,3% US$ 157,7

3. Ocupação e receita

O alvo é estimated_occupancy_l365d, estimativa do Inside Airbnb reproduzida exatamente pela limpeza: min(round(avaliações_12m ÷ 0,5 × max(6,4; mínimo de noites)); 255). É modelo de outro modelo, e dizemos isso: prevê quantas noites um anúncio parecido acumula de avaliações, não reservas observadas.

O problema se parte em dois, porque mais da metade dos anúncios com preço não teve hóspede nenhum no ano — estão listados, não operados:

  1. o anúncio está ativo? (classificação, AUC);
  2. se ativo, quantas noites? (regressão no log das noites) — o número que o simulador mostra, porque quem pergunta "quanto fatura" pretende operar.
modelo (noites/ano, só anúncios ativos) MAE (noites) erro mediano Spearman
baseline: mediana bairro × tipo × 30+ noites 62,2 60,0 0,341
LightGBM (entradas do simulador + localização) 57,8 48,5 0,594

Atividade. 80% dos anúncios de estadia curta tiveram hóspede no último ano; dos de 30+ noites, só 35%. Prever se um anúncio está ativo é fácil (AUC 0,91) — o mínimo de noites e o tipo praticamente decidem. Noites, se ativo, é mais difícil: o modelo erra 58 noites em média (48,5 na mediana) contra 62 do baseline, e ordena bem melhor (Spearman 0,59 × 0,34). 28% dos anúncios ativos estão no teto de 255 noites da estimativa. A receita prevista (preço do produto × noites) tem Spearman de 0,79 com a observada.

Penalidade de sobrepreço. Entre anúncios ativos de estadia curta, os que cobram 20% ou mais acima do que o modelo de preço prevê para eles ficam, na mediana, com 205 noites no ano — contra 255 dos demais. Nos de 30+ noites a diferença some (122 × ~128 noites em média). A correlação geral é nula (Spearman −0,004): o mercado só pune o sobrepreço forte, e só na estadia curta.

3.1 O Airbnb fatura mais que o aluguel tradicional?

A pergunta que liga o Airbnb à habitação: um apartamento inteiro, anunciado e ativo, fatura mais no Airbnb do que alugado por um ano no mercado tradicional do mesmo CEP? Receita = estimated_revenue_l365d (bruta: sem taxa da plataforma, limpeza nem mobília); aluguel = Zillow ZORI do CEP × 12, em dólar de junho de 2026.

recorte n aluguel/mês diária noites/ano empatar em receita/ano razão acima de 1,00×
todos os apartamentos inteiros ativos 5.069 US$ 4.269 US$ 212 120 240 US$ 27.368 0,55× 27,7%
< 30 noites 1.433 US$ 4.439 US$ 400 255 117 US$ 80.024 1,69× 74,8%
30+ noites 3.636 US$ 4.269 US$ 174 120 280 US$ 20.000 0,42× 9,1%
Manhattan 2.781 US$ 4.778 US$ 238 120 238 US$ 29.560 0,52× 26,1%
Brooklyn 1.691 US$ 3.589 US$ 191 180 240 US$ 27.815 0,63× 31,2%
Queens 453 US$ 2.979 US$ 161 120 235 US$ 20.880 0,57× 26,9%
Bronx 96 US$ 2.977 US$ 123 120 276 US$ 14.141 0,42× 19,8%
Staten Island 48 US$ 2.734 US$ 108 120 279 US$ 12.886 0,39× 14,6%

A razão sozinha esconde de onde ela vem: 0,55× pode ser aluguel caro ou receita baixa, e quem decide o que fazer com um imóvel precisa saber qual dos dois. Por isso a tabela traz as duas pontas e a coluna empatar em — quantas noites, na própria diária do recorte, igualariam um ano de aluguel. Na mediana são 240 noites, e a ocupação observada é 120.

A Local Law 18 dividiu o mercado em dois negócios opostos: a estadia curta legal (registrada) é muito mais rentável que o aluguel — três em quatro superam um ano de aluguel —, enquanto o aluguel mensal mobiliado pelo Airbnb fatura, na mediana, menos da metade de um aluguel tradicional. Parte dessa distância é método: a ocupação estimada de 30+ noites conta 60 noites por avaliação, e hóspedes de estadia longa avaliam menos — a receita desse grupo tende a estar subestimada.

Por bairro

A média da cidade não decide nada sobre um imóvel — o bairro decide. Só os bairros com 60 ou mais apartamentos inteiros ativos, para que a mediana signifique alguma coisa:

recorte n aluguel/mês diária noites/ano empatar em receita/ano razão acima de 1,00×
Fort Hamilton 67 US$ 2.834 US$ 165 255 206 US$ 38.760 1,14× 70,1%
Financial District 108 US$ 4.979 US$ 540 128 117 US$ 63.138 1,06× 51,9%
Astoria 65 US$ 3.143 US$ 206 180 189 US$ 32.150 0,81× 41,5%
Midtown 380 US$ 5.626 US$ 319 179 202 US$ 47.746 0,76× 39,2%
Gramercy 60 US$ 5.158 US$ 235 216 263 US$ 45.680 0,74× 33,3%
Crown Heights 190 US$ 3.258 US$ 202 180 203 US$ 30.568 0,72× 40,5%
Bedford-Stuyvesant 313 US$ 3.589 US$ 197 180 218 US$ 30.873 0,72× 37,1%
Harlem 220 US$ 3.275 US$ 229 134 178 US$ 28.442 0,69× 39,1%
Lower East Side 108 US$ 4.689 US$ 272 148 216 US$ 36.474 0,64× 29,6%
East Village 87 US$ 5.158 US$ 237 124 254 US$ 35.876 0,58× 28,7%
West Village 79 US$ 6.087 US$ 267 120 261 US$ 40.594 0,56× 26,6%
East Flatbush 81 US$ 2.797 US$ 131 120 261 US$ 18.767 0,55× 30,9%
Bushwick 100 US$ 3.595 US$ 160 180 280 US$ 24.248 0,55× 26,0%
East Harlem 98 US$ 3.504 US$ 168 120 235 US$ 24.522 0,54× 24,5%
Upper East Side 367 US$ 4.167 US$ 218 120 234 US$ 26.280 0,51× 18,5%
Williamsburg 202 US$ 4.985 US$ 212 120 275 US$ 27.392 0,51× 15,8%
Murray Hill 85 US$ 5.144 US$ 260 120 237 US$ 30.532 0,49× 27,1%
Upper West Side 243 US$ 4.692 US$ 206 120 268 US$ 25.612 0,46× 13,2%
Kips Bay 99 US$ 5.144 US$ 224 120 279 US$ 26.364 0,43× 16,2%
Chelsea 170 US$ 5.807 US$ 209 120 326 US$ 23.960 0,34× 16,5%
Hell's Kitchen 334 US$ 4.699 US$ 194 120 296 US$ 18.269 0,32× 19,2%

Dois bairros passam de 1,00×, e não são os de aluguel mais caro. São os de estadia curta registrada, que operam o ano inteiro: Fort Hamilton (1,14×) tem a terceira diária mais barata da lista — US$ 165 — e mesmo assim vence, porque vende 255 noites. Financial District (1,06×) chega pelo outro extremo: diária de US$ 540 e só 128 noites, o que basta para empatar em 117.

No fundo da tabela estão Hell's Kitchen (0,32×) e Chelsea (0,34×), que precisam de 296 e 326 noites para empatar e vendem 120. Não é que o Airbnb renda pouco lá — é que o aluguel rende muito. A conta perde para o contrato justamente onde o contrato é caro.

Por célula, a mesma métrica está no mapa, em "Airbnb × aluguel de longo prazo".

4. Sobrevivência 2019 → 2026

"Sobreviver" = o mesmo id de anúncio de julho de 2019 aparecer em junho de 2026. Não é o mesmo que o imóvel continuar alugado: o anfitrião pode ter recriado o anúncio, e o scrape pode não capturar um anúncio ativo — os dois contam como "não sobreviveu".

Dois modelos, dois papéis:

  • regressão logística com erro-padrão agrupado por anfitrião (anúncios do mesmo anfitrião saem juntos; sem agrupar, o intervalo de confiança fingiria mais informação independente do que há) — para razões de chance interpretáveis;
  • LightGBM sob CV espacial — para medir quanto do destino é previsível e desenhar o mapa de sobrevivência prevista.

Dos 48.895 anúncios de julho de 2019, 7.516 (15,4%) ainda estão no ar em junho de 2026.

variável (2019) razão de chance IC 95% (agrupado por anfitrião) p
log_preco_real 1,05 0,97 – 1,13 0,268
min30 2,08 1,68 – 2,57 < 0,001
log1p_avaliacoes 1,28 1,24 – 1,31 < 0,001
avaliacao_recente_90d 0,79 0,73 – 0,86 < 0,001
log_anuncios_host 1,00 0,90 – 1,12 0,948
disponibilidade_zero 1,64 1,52 – 1,78 < 0,001
tipo_Private room 0,74 0,67 – 0,81 < 0,001
tipo_Shared room 0,16 0,11 – 0,24 < 0,001
distrito_Brooklyn 0,92 0,73 – 1,16 0,480
distrito_Manhattan 0,75 0,59 – 0,95 0,019
distrito_Queens 0,94 0,73 – 1,21 0,610
distrito_Staten Island 0,88 0,58 – 1,33 0,541

Referências: casa ou apê inteiro e Bronx. Controlando pelo resto, sobreviveu mais quem já era aluguel mensal em 2019 (mínimo de 30+ noites: chance 2,1 vezes maior — já estava dentro da regra que a LL18 impôs) e quem tinha o calendário fechado (1,6 vez): o anúncio "adormecido" de um morador ficou; o anúncio de estadia curta mais ativo — o alvo da lei — saiu. Avaliação recente, que em 2019 indicava operação comercial ativa, reduz a chance (0,79). Quarto compartilhado quase desapareceu (0,16). Manhattan perdeu mais que o Bronx (0,75).

recorte grupo anúncios 2019 ainda no ar em 2026
distrito Manhattan 21.661 14,6%
distrito Brooklyn 20.104 16,3%
distrito Queens 5.666 15,2%
distrito Bronx 1.091 14,7%
distrito Staten Island 373 14,5%
tipo Casa ou apê inteiro 25.409 17,7%
tipo Quarto privativo 22.326 13,4%
tipo Quarto compartilhado 1.160 2,5%
mínimo de noites < 30 noites 44.388 14,8%
mínimo de noites 30+ noites 4.507 21,1%
anúncios do anfitrião 1 32.303 15,5%
anúncios do anfitrião 2 6.658 15,5%
anúncios do anfitrião 3–5 5.138 13,9%
anúncios do anfitrião 6–10 1.829 11,9%
anúncios do anfitrião 11+ 2.967 19,0%
última avaliação ≤ 90 dias 22.230 15,8%
última avaliação 91–365 dias 6.922 16,1%
última avaliação > 1 ano 9.691 21,1%
última avaliação sem avaliação 10.052 8,4%

Sobrevivência

Quanto é previsível. Pouco: AUC de 0,67 sob CV espacial, abaixo do limiar de 0,70 registrado em docs/01 (C5 não atendido) — embora calibrado e melhor que o baseline no Brier (0,124 × 0,130). Tirar toda a localização não piora — na verdade melhora marginalmente (0,6676 × 0,6659), o que reforça a mesma leitura do C4: a saída do mercado atingiu todos os lugares por igual; o que diferencia os sobreviventes é o tipo de operação, não o endereço. Seguindo o pré-registro, o modelo fica explicativo: o mapa do site mostra a sobrevivência observada por célula, não a prevista.

Calibração

5. Validação temporal (deriva)

Um modelo treinado em julho de 2019, em dólar constante, é aplicado aos anúncios de junho de 2026 — com as mesmas features, só as que os dois snapshots têm, e cada snapshot com a safra das suas fontes externas. Comparado com um modelo de 2026 avaliado por CV espacial no próprio 2026, a diferença mede a deriva de conceito.

treino → teste MdAPE MAE (US$ de 2026) R² (log)
2019 → 2019 (CV espacial) 25,3% US$ 76,6 0,572
2026 → 2026 (CV espacial) 29,0% US$ 121,2 0,626
2019 → 2026 33,3% US$ 142,6 0,331
2026 → 2019 140,0% US$ 220,4 -1,016

Deriva

O modelo de 2019 perde 4,3 pontos de MdAPE em 2026 frente ao próprio 2026 — e o caminho inverso explode (140%). A assimetria é a Local Law 18: por estrato, o modelo de 2019 acerta o aluguel de 30+ noites de hoje (MdAPE 22–31%, viés de +7% a +9%), mas erra a estadia curta por muito (MdAPE 47–73%): em 2026 ela custa de 1,9 a 3,6 vezes o que a estrutura de 2019 previa. Na volta, o modelo de 2026 aprende que "estadia curta = cara" e aplica isso aos 91% de anúncios curtos de 2019. A estabilidade populacional (PSI) confirma onde o mercado mudou: mínimo de noites (PSI 2,68), disponibilidade (2,16), número de anúncios do anfitrião (0,54) e o aluguel do entorno (ZORI, 0,62).

O resíduo "preço de 2026 − previsão da estrutura de 2019", médio por célula, é a valorização ajustada do mapa: quanto a área ficou mais cara do que o mix dos seus anúncios e a sua localização fariam esperar em 2019.

Corrigido depois da auditoria de método

Até a revisão, esse resíduo era agregado sobre todos os anúncios da célula, o que viola a invariante 8 do próprio projeto. O viés do modelo de 2019 é de +0,07 em log na estadia de 30+ noites e de +0,63 a +1,29 na curta (tabela acima), então a média por célula media, em primeira ordem, onde a estadia curta sobreviveu — não valorização. Medido: ρ entre a métrica antiga e a fração de estadia curta na célula era 0,47. Estratificada dentro do regime de 30+ noites, a correlação cai para −0,02, e o número muda de patamar: a valorização mediana por célula é de +7,2%, não os +29% que a versão anterior publicava. Os +29% eram composição.

Com a métrica corrigida, os bairros que mais cobram acima do que a estrutura de 2019 previa são Tribeca (+107%), Financial District (+47%), SoHo (+42%), Prospect Heights (+41%) e Flatiron District (+41%); os que menos, Little Italy (−26%), Hell's Kitchen (−11%), Upper West Side (−9%), Rosedale (−8%) e Chelsea (−5%). Note que quatro dos cinco primeiros da lista antiga — South Ozone Park, Theater District, Long Island City — desapareceram: eram concentração de estadia curta, não valorização.